Fátima Spínola
Portal

Instalação · 2019

Portal

Texto curatorial

No jardim da Quinta das Cruzes a artista apresenta uma obra que corresponde a um desafio lançado após longa conversa numa esplanada no Funchal em tarde solarenga. Aí contava-me como na sua infância ia aprendendo o ofício de trabalhar a terra com os seus pais e familiares, ao mesmo tempo que nessa observação ela e os irmãos iam descobrindo formas de brincar que derivavam precisamente desse contacto com a ruralidade. O aproveitamento de troços de couves e canas permitia a construção de pequenos refúgios, locais de imaginação derivativa que todas as crianças gostam de habitar.

O Portal que Fátima Spínola implantou neste jardim contrasta em absoluto com a sua formalidade, onde ruínas de antigos edifícios e monumentos públicos remete para uma arqueologia mítica, matemática ou tecnológica como é o caso de Mario Merz: aqui tudo é natural, rudimentar e artesanal, exatamente como as pequenas construções de infância donde deriva. Refúgio para adultos pensarem na transitoriedade da vida em rememoração infantil, na obra revela-se não só a origem da arte como manifestação eminentemente vocacionada para a contemplação e manipulação formal da paisagem envolvente, como a sua capacidade de tornar vivências pessoais em experiências universais.

Miguel Von Hafe Pérez

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