
Pintura · 2020
Lixo | Trash
Sobre a obra
A artista encena através do auto retrato directo e indirecto, deformações e inquietações da mente, num paralelo ao famoso romance “O Retrato de Dorian Gray” de Oscar Wilde, no qual o personagem principal esconde uma pintura que toma por ele os traços de velhice e os desvios morais e éticos.
Como espelhos que somos, a utilização compulsiva do autorretrato na obra da artista Fátima Spínola fala-nos também sobre o outro, aquele que não pode ser presentificado e que não nos pertence. O rosto esmagado que se revela em diversas pinturas, foi criado a partir de uma foto de Facebook da autora, uma foto de âmbito pessoal que foi impressa a preto e branco e emaranhada dezenas de vezes, dando origem a diferentes composições de carácter aleatório, posteriormente selecionada pela sua forma e impacto.
O fio condutor desta exposição é o conceito de “angústia”, uma sensação psicológica presente desde os primórdios da humanidade e que se tem vindo a intensificar ao ritmo da melhoria das condições de vida. O Medo da perda e a imposição da felicidade permanente são o mote para a reflexão, numa época onde têm surgido novos desafios a uma sociedade que se considerava segura e evoluída mas que se viu completamente desprotegida e isolada sob a ameaça de um novo vírus.